Publicado por: peregrino | 5 de Maio de 2013

Era bom

Internacionalmente os momentos mais marcantes da semana que passou foram, sem dúvida, a abdicação da Rainha Beatriz e entronização do novo Rei dos Países Baixos. Inexplicavelmente, em Portugal, não tiveram o destaque que mereciam. Isto considerando que aquando do casamento (ainda há pouco tempo) do Príncipe William do Reino Unido todas as televisões correram a transmitir exactamente o mesmo e à mesma hora e fazendo “especiais informativos” que, na maioria das vezes, eram vazios de conteúdo útil e chegavam até, em determinadas alturas, a roçar o ridículo. Sob do ponto de vista político parece claro que a entronização de um novo Monarca é bem mais importante que o casamento de um Príncipe que nem é o primeiro na linha de sucessão.

Tudo se torna mais incompreensível ainda se considerarmos a importância dos Países Baixos nesta Europa em que nos encontramos.

A comunicação social nacional não deixou, contudo, de cometer as “gafes” a que nos vem vindo a habituar. Em se tratando do assunto Monarquia, e contrariamente ao que seria a sua a sua obrigação, toma partido, desinforma, confunde, omite e manipula a verdade.

Mas felizmente no Mundo de hoje a informação não tem barreiras e a “comunicação social oficial” não é mais detentora exclusiva da informação.

Mais uma vez podia ter existido um maior profissionalismo, uma maior imparcialidade e competência. A comunicação social tem de ter mais cuidado com aquilo que apresenta pois se não fizer o seu trabalho bem correrá o risco de ser desmentida em praça pública, o que em nada valoriza a sua imagem.

Um destes exemplos está brilhantemente exposto aqui.

Mas quem teve a oportunidade de ver as cerimónias (valha-nos a Euronews) pôde verificar o claro apoio da população à sua Família Real. Teve ainda a oportunidade de verificar a solenidade das cerimónias que traduziam o escrupuloso cumprimento não só da tradição mas das leis, nomeadamente da Lei Fundamental – a Constituição. De facto, o profundo respeito que as Instituições de Soberania e o povo dos Países Baixos mostraram ter pela sua Constituição é absolutamente notável.

E não é de admirar esse respeito atendendo à íntima ligação que a Casa Real Holandesa tem com o Povo Holandês e ao facto de as leis servirem para proteger a população.

Por cá, no entanto, a história é bem diferente e a Constituição não parece ter tanto valor.

Era bom que a comunicação social nacional tivesse destacado estas diferenças entre Portugal e os Países Baixos.

Era bom que em Portugal também se soubesse respeitar, como nos Países Baixos, a Constituição.

Era bom que Portugal, à semelhança da Holanda e de tantos outros Países Europeus altamente desenvolvidos, também tivesse uma Monarquia que unisse a População.

Rei já temos, só falta fazer a entronização.

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