Publicado por: peregrino | 20 de Setembro de 2011

A dança da quotas (I)

Terminou há relativamente pouco tempo a negociação do modelo de avaliação dos professores. O acordo foi só parcialmente atingido pois uma das exigências dos sindicatos não foi aceite pela tutela: à semelhança da restante função pública, também os professores, na sua avaliação, estarão sujeitos a quotas. Qual o sentido de haver, por exemplo, um limite de x ‘bons’ a atribuir? E se houver (x+1) professores bons?

Ainda que se consiga perceber (muito vagamente) o objectivo desta medida, será que ela promove a excelência? Um professor trabalha arduamente durante um ano, consegue atingir todos os objectivos e no final recebe, devido às quotas, uma classificação inferior ao merecido? Qual a justiça disto? Multipliquem agora esta situação por vários anos. Como se sentiriam se estivessem nessa situação? Como se sentiriam se, aquando de um exame na escola ou universidade, tivessem tido ‘bom’ mas, por uma questão de quotas, tivessem recebido somente um suficiente? Seria isto justo, ético ou mesmo moral?

E que critérios se irão usar para decidir quais aqueles que, merecendo uma classificação, pelas quotas terão de ter um classificação inferior? A vontade do avaliador? Não trará isto graves perigos?

Dirão alguns, provavelmente movidos pelo célebre sentimento/complexo anti função pública, que existem empresas onde também se aplica o sistema de quotas! E isso faz com que esse sistema seja mais justo? E não é função do estado dar bons exemplos para que estes sejam seguidos pela sociedade? Como pode um funcionário de uma empresa privada revoltar-se contra a existência de quotas na sua empresa se a entidade que devia dar o (bom) exemplo também as usa? Neste sentido, apoiar esta luta da função pública contra a existência de quotas é lutar também por um futuro com mais justiça nas avaliações no seu próprio posto de trabalho. De nada adianta criticar a função pública pois isso só iria prejudicar não só os funcionários públicos como toda a sociedade. Já se sabe que há empresas que, sabendo que o estado pede o dedo, aproveitam logo para pedir o braço todo.

(continua …)

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Responses

  1. […] A dança da quotas (II) Antes de prosseguir sugere-se a leitura da primeira parte deste artigo. […]


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