Publicado por: peregrino | 8 de Maio de 2011

Não convém, não é verdade? (III)

Antes de prosseguir sugere-se a leitura das duas primeiras partes (Parte I; Parte II) deste artigo.

Só em ganhos directos tem-se, por exemplo, os direitos de transmissão televisiva para todo o Mundo e os turistas que viajaram para o Reino Unido especificamente para “assistirem” ao casamento, com consequências (positivas) imediatas nos ramos da hotelaria e do comércio britânicos.

No entanto essas receitas são apenas algumas das directas imediatamente antes, durante e após o evento. Existem receitas a nível futuro difíceis de contabilizar. O casamento foi, em termos práticos, e conforme já referido, um golpe publicitário à escala global que muito provavelmente chamará ao Reino Unido, e em particular a Londres, um grande número de turistas ansiosos por ver os locais onde se realizou tão mediático acontecimento. De caminho continuam a promover a indústria hoteleira e da restauração, já para não falar no comércio! Claro que estando no Reino Unido dificilmente deixarão de visitar os quase míticos locais e monumentos relacionados directamente com a Monarquia.

A importância desses locais mede-se pela sua história passada mas também pela sua “história presente” já que são locais vivos e não apenas memórias de um passado distante. A Torre de Londres não é apenas uma prisão do passado! Nela se guardam as Jóias da Coroa, que ainda hoje em dia são usadas. Com “sorte” pode-se visitar este monumento e não conseguir ver uma (ou mais) das jóias por estar a ser usada pela Rainha.

O Palácio de Buckingham não é apenas mais um palácio! Caso esteja fechado ao público, cria no turista a capacidade de imaginar que ali dentro poderá estar uma Rainha de verdade, a trabalhar em prol da sua pátria, conforme o juramento que fez aquando da coroação. Já no caso do Palácio estar aberto ao público o turista sabe, à partida, que a Rainha não estará nele mas ainda assim é criada no imaginário do turista a ideia de que há pouco tempo uma Rainha verdadeira esteve ali, a morar e a trabalhar. E isto, este “jogar” com o imaginário dos turistas, vende. E quem lucra com isto é o Reino Unido que, sabiamente, consegue “explorar” os efeitos da imagem de um Monarca no imaginário das pessoas. Esta vida dos monumentos é uma das grandes diferenças entre o turismo britânico e o português. É indiscutivelmente mais interessante visitar um palácio (por exemplo) habitado, vivo e com memórias recentes, do que um palácio desabitado, frio e muitas vezes com má conservação, com memórias de um passado distante que já ninguém conhece como seu. A primeira realidade é a britânica, a segunda é a portuguesa.

Desta forma, aquilo que à primeira vista pode ser visto como uma enorme despesa traduz-se numa enorme projecção do país no Mundo, só possível devido à sua Monarquia e à sua Família Real. Na prática toda esta projecção leva à estimulação do turismo britânico e consequentemente ao aumento de receitas. Dificilmente uma República conseguiria, através unicamente do seus próprios símbolos, gerar tamanha projecção.

“ Sustentar” uma Família Real, como se pôde ver, acaba por ser um investimento com retornos a vários níveis (curto, médio e longo prazo), altamente positivos para o bem comum da Nação. Falo no bem comum por ser o mais óbvio mas o bem individual de cada um também sai altamente beneficiado e nem é muito difícil de perceber porquê.

(continua na parte 4 – última parte)

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Responses

  1. […] (continua na parte 3) […]

  2. […] de prosseguir sugere-se a leitura das três primeiras partes (Parte I; Parte II; Parte III) deste […]


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