Publicado por: peregrino | 3 de Maio de 2011

Não convém, não é verdade? (I)

No passado dia 29 Portugal foi inundado com ‘notícias’ relativas ao casamento real do Reino Unido. Foram directos, aberturas de serviços noticiosos, debates, etc. Isto só para falar no dia do evento em si porque na verdade o ‘aviso de inundação’ há muito que vinha sendo anunciado: ‘documentários’, reportagens (especiais ou normais), filmes e séries (por vezes intragáveis de tão mau gosto e incorrecções, típicas da industria cinematográfica norte-americana). Durante o casamento, foi o que se viu. Após o acontecimento, os serviços de comunicação social (fosse qual fosse o formato – tv, papel, rádio ou net – mas com particular incidência na tv) não desarmaram e continuaram o mesmo caminho anteriormente trilhado: mais ‘documentários’, reportagens, filmes e séries e ainda debates (alguns, justiça seja feita, com alguma seriedade e utilidade).

Desta forma é importante analisar algumas das coisas que aconteceram. Este exagero que se viveu conseguia aborrecer até o mais convicto monárquico. E era capaz de aborrecer por vários pontos que vou, de seguida, tentar abordar.

  1. O casamento real teve impacto a nível mundial e, portanto, era aceitável que também fosse transmitido para Portugal. No entanto, e estando Portugal no período difícil que já todos conhecem, será que era mesmo necessário irem as 3 televisões generalistas para o local e estarem a transmitir o mesmo ao mesmo tempo? Não poderia ter existido um acordo entre as diversas televisões de modo a que essa situação fosse evitada?
  1. A falta de profissionalismo e a parcialidade de alguns supostos ‘profissionais’ era gritante. Não era preciso ver o casamento durante muito tempo nem estar muito atento para perceber as incorrecções históricas e culturais, além dos comentários obtusos e completamente deslocados/desfasados da realidade que eles estavam a ver/presenciar. Terá razão de ser (a título de exemplo), perante o mar de gente que gritava, aclamava e apoiava a sua Família Real, perguntar se a Monarquia ainda faz sentido ou se é popular? Só alguém com capacidades intelectuais manifestamente reduzidas ou nítida má-fé faz tais perguntas tendo, à partida, as respostas claras como água e visíveis a todos.
  1. O conjunto de séries e filmes (tipicamente hollywodescos) não possuíam qualquer semelhança com a realidade. São, regra geral, versões fantasiosas que, como tal, não devem ser associadas a um evento real e concreto. Os responsáveis pela programação mostraram o quanto as suas mentes devem estar confusas ao fazer uma mistura tão deprimente entre fantasia e realidade. Isto é algo deveras preocupante, não por se tratar deste tema em concreto mas porque ao serem responsáveis pela programação de canais de televisão têm a obrigação (pelo menos moral) de contribuir para o esclarecimento dos seus espectadores.
  1. Não deixa de ser curioso que, num País que alguns afirmam ser convictamente republicano, haja tanto fascínio pelas Monarquias (jamais assumido). Quase que dá vontade de perguntar se Portugal é assim tão republicano como querem fazer passar!

(continua na parte 2)

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Responses

  1. […] Não convém, não é verdade? (II) Antes de prosseguir sugere-se a leitura da primeira parte deste artigo. […]

  2. […] não é verdade? (III) Antes de prosseguir sugere-se a leitura das duas primeiras partes (Parte I; Parte II) deste […]

  3. […] de prosseguir sugere-se a leitura das três primeiras partes (Parte I; Parte II; Parte III) deste […]


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