Publicado por: vmantas | 27 de Março de 2011

Viver de aparências

Estas semanas têm sido pródigas em eventos, cada um mais deprimente que o anterior, e que têm sublinhado a natureza decadente da nossa vida pública.
No meio de tudo isto vemos que os portugueses continuam a insistir nas aparências. Infelizmente, uma pequena viagem pela blogosfera nacional e talvez ainda melhor, pelas redes sociais, mostra toda uma geração (dita ‘à rasca´) a valorizar tudo aquilo que é secundário.
Esta geração não faz mais, no entanto, do que seguir o exemplo da que lhe antecedeu. Viver de aparências, apostar naquilo que rapidamente pode conferir algum protagonismo, não construído da qualidade mas sim da imagem. Todos os ‘à rasca’ são jovens promissores, com muito estilo, vidas sociais extremamente ricas, gosto por vinhos requintado (acham eles claro) e, obviamente, são incompreendidos neste país ‘pequeno demais’.
Claro que as concretizações da esmagadora maioria são muito questionáveis. Preferem ir para as ruas e lutar por um emprego no Estado, sem termo e todas as regalias, mal saídos da Faculdade (qualquer uma, de preferência uma fácil, em que os professores não sejam chatos com avaliações sérias, porque isso não se usa, o que interessa, todos sabemos, é o ‘empreendorismo’) do que aprender, mudar e até arriscar.
Infelizmente as nossas elites estão também adormecidas e sem vontade ou capacidade de reagir. Aliás, muitos daqueles que supostamente constituem a elite nacional são os primeiros a pactuar com tudo aquilo que apesar de podre se tem tornado a norma.
Porque estou a escrever sobre isto? Bem, porque penso que a queda do governo, a falência de Portugal que parece difícil de evitar (ou melhor de esconder, porque falidos já estamos) decorre não apenas de uma crise económica, de um mau governo ou menos ainda da conjuntura internacional.
A causa primeira da crise está na crise de valores, na falência moral dos portugueses e na falta de objectivos.
Enquanto gastarem primeiro o dinheiro na imagem e só depois na substância, não vão deixar de ser um país que vive de ilusões. Ilusões essas que os nossos credores em breve farão questão de eliminar.
Resta saber com que custo para todos aqueles, e ainda são muitos que não se identificam com esta sociedade facebook.

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