Publicado por: peregrino | 22 de Fevereiro de 2011

Por tudo isto (e muito mais)

Já por várias vezes aqui foi manifestada a preocupação com o estado de abandono a que o sector primário português parece estar a ser levado. Parece que este sector, por não ser ‘tecnológico’, é visto como algo que não interessa proteger e defender. No entanto a verdade é que se pode viver sem computadores, televisões, banda larga, etc (ainda que seja difícil por serem bens relativamente aos quais já existe uma certa habituação) mas o mesmo já não se pode dizer relativamente a bens tão simples como alimentação e vestuário.

Claro que também se tem de apostar nas novas tecnologias. Não o fazer seria um erro e levaria ao ‘parar no tempo’. No entanto há, naturalmente, necessidade de cuidar primeiro das necessidades básicas do ser humano. E o certo é que as noticias a alertar para os aumentos (em escalada) de diversos bens essenciais, devido ao aumento dos custos das matérias-primas, são cada vez mais frequentes. O problema, aparentemente, está numa procura superior à oferta. E qual é o sector responsável pela ‘produção’ das matérias-primas? Exactamente, é o sector primário.

Por falta de apoios e verdadeiros incentivos, actividades como a agricultura e a pecuária não são vistas como uma possibilidade de emprego por geralmente não serem rentáveis (ou serem muito pouco). Desta forma as pessoas tendem a desistir da possibilidade de trabalhar nessas actividades. Esse progressivo abandono das actividades do sector primário leva à diminuição da ‘produção’ das matérias-primas quando, muitas vezes, deveria ocorrer precisamente o oposto, dada a elevada procura desses bens. O resultado final é um aumento generalizado não só da matéria-prima em si mas de todos os produtos associados. Por exemplo: há muita procura de trigo mas a produção é baixa, logo o preço do trigo aumenta. No entanto o aumento do preço do trigo leva obviamente ao aumento do preço da farinha, o que leva consequente e necessariamente ao aumento de todos os produtos que usem farinha (dos quais o pão é o mais óbvio).

Este problema não é unicamente português mas cabe a Portugal resolver os seus próprios problemas. Se Portugal apoiasse mais as actividades primárias, ao invés de importar, não estaria tão dependente das flutuações dos preços (a nível internacional) das matérias-primas e, além do mais, seriam criados mais uns quantos postos de emprego. Claro que há matérias-primas que Portugal não pode produzir e essas terão de ser, necessariamente, importadas. No entanto relativamente a todas as outras, quanto mais produzir menos compra e, portanto, mais poupa.

Há que compreender que ser pescador, agricultor ou possuir qualquer outra actividade similar não é motivo de vergonha. Antes pelo contrário, pois são essas pessoas que ‘alimentam’ o seu país.

Mas estas situações não parecem estar a merecer a devida atenção. Quem perde, no final, é Portugal.

Por tudo isto (e muito mais) pode-se dizer que faz falta a Portugal alguém que, pelo carácter vitalício (e hereditário) do seu cargo, não esteja sujeito ao populismo das promessas eleitorais; veja e pense Portugal a longo prazo (em termos geracionais e não nas próximas eleições) e alerte os responsáveis políticos sempre que necessário. Por tudo isto (e muito mais) pode-se dizer que Portugal precisa de um REI.

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