Publicado por: peregrino | 25 de Janeiro de 2011

2011 e os mitos (I)

A respeito das passadas eleições presidenciais, uma conclusão que se pode tirar é que os Portugueses não são convictamente republicanos. Talvez haja quem diga que esta é uma conclusão abusiva. Discordo primeiramente devido ao elevado grau de abstenção. Parece lógico que nenhum republicano convicto deixe de votar nas eleições presidenciais, talvez as mais simbólicas de todo o regime republicano. Neste sentido, uma abstenção que ultrapassa os 53% do universo eleitoral significa, no mínimo, que os mais de 5 milhões de eleitores correspondentes não são republicanos (pelo menos convictos).

A estes devem-se adicionar ainda os que votaram em branco e alguns dos que votaram nulo. Os primeiros mostraram o seu desagrado com o actual estado das coisas simplesmente não votando em ninguém. Os segundos podem ter anulado o boletim de voto propositadamente também com o intuito de manifestar o seu desagrado. Será que estas pessoas podem ser consideradas, em consciência e em boa verdade, republicanas convictas?

Existem finalmente todos aqueles que decidiram ‘protestar’ através de um voto útil num qualquer candidato que sabiam, à partida, que não ía ganhar as eleições. Poderão também estas pessoas, que votam com este tipo de pensamento (e porque votar deve ser um acto feito em consciência), ser consideradas republicanas convictas?

A abstenção é o número maior e, portanto, o que fala mais alto. No entanto os outros números também falam e também têm muito a dizer. É uma questão de parar um pouco para os ouvir atentamente.

Durante muito tempo criou-se (foi-se criando) o mito que o Povo Português é genuína e convictamente republicano. Este mito tem sido alimentado no último século mas este ano viu-se que não passa disso mesmo: um mito. Naturalmente o facto das pessoas não serem republicanas convictas não faz delas, automaticamente, monárquicas. No entanto, a essas pessoas que decidiram manifestar o seu desagrado (por qualquer uma das formas mencionadas) há que perguntar: não será altura de dar uma hipótese, na sua consciência, à monarquia?

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