Publicado por: blogportugalfuturo | 9 de Dezembro de 2010

Convidados (1)


O meu primeiro texto neste blogue surge a partir de um convite que me foi feito pelo vmantas, meu amigo próximo de longa data. Já leu bastante do que escrevi a título pessoal, muitas vezes expressado de forma mais informativa do que reflexiva. Afinal, um texto ou uma rubrica de opinião não passa disso mesmo, do espelhar daquilo que são as ideias do autor acerca de um determinado assunto. Nunca com a presunção de querer influenciar outrem; o objectivo é sempre proporcionar aos leitores um ponto de partida para as suas próprias meditações.

Longe de mim querer considerar-me erudito em diversas matérias mas, actualmente, por várias razões, há três assuntos que sigo com singular atenção: o ambiente e a ciência, a educação e o emprego. E, nesta primeira crónica, optei por chamar a lume precisamente a questão do emprego, ou melhor, do desemprego. Principal culpado: a crise económica actual. Em Portugal, contudo, este problema já vem de trás, embora se tenha, curiosamente e tendo em conta os princípios partidários, agravado com os últimos anos de supostas políticas socialistas. E, nesse particular, gostaria de relembrar aquela que foi, porventura, uma das bandeiras eleitorais mais sensacionalistas e demagógicas de sempre: a criação de 150000 postos de trabalho. Criaram-se esses 150000 empregos? Não. Números redondos, ainda se desbarataram mais 80000, ao que se disse na altura. E, ainda assim, numa verdadeira lição de tudo menos democracia, os portugueses, em 2009, não foram capazes de apostar numa mudança política. Se olharmos para o outro lado do Atlântico, Barack Obama está sob constante crítica, sendo um dos principais assuntos precisamente a questão do desemprego. Todavia, só em Outubro foi criado precisamente o mesmo número de postos de trabalho que foram prometidos em 2005. E Obama afirmou: “Não fico satisfeito até que todos os que procuram encontrem emprego.” Por cá, afirma-se, como sempre, que não se pode fazer nada até a crise se desvanecer.

Em termos percentuais, o desemprego atingiu, no terceiro trimestre de 2010, o valor recorde de 10,9. A OCDE aponta, para 2011, uma taxa de 11,4%, enquanto as centrais sindicais lançam números na ordem dos 13%. Tendo em conta que a população activa portuguesa ronda os 5,44 milhões, as contas são fáceis de fazer: mais de 620 mil portugueses estarão desempregados no próximo ano. E somemos a isto o trabalho temporário ou precário, conforme queiram, que faz flutuar, todas as semanas, este número. São valores assustadores e que, a meu ver, representam a principal perda em termos económicos para o país.

Eu não pretendo afirmar que seriam estes 620 mil desempregados que, empregados, nos tirariam da crise. Nem que os 4,82 milhões de trabalhadores são por ela responsáveis. Mas não podemos ser cegos ao ponto de não repararmos que só a criação de emprego (mesmo que, a curto prazo, não seja economicamente vantajosa), a estabilidade laboral e a definição concreta e rigorosa de metodologias de avaliação de desempenho, representam o caminho possível de saída da crise. É fácil? Não, nunca é. Nem consensual. A pouca produtividade, principalmente na Administração Pública, é um dos principais entraves ao estabelecimento de objectivos ambiciosos e à validação do cumprimento dos mesmos.

Ao fim e ao cabo, o cerne do problema reside no acomodamento da população, activa ou inactiva. Grave é ver, por exemplo, que mais facilmente se aderem a jogos sem qualquer objectivo nas redes sociais, do que se desenvolve interesse pelas questões de fundo do país, pelo contributo, por mais pequeno que seja, que se possa dar.

P. Santos

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: