Publicado por: vmantas | 6 de Novembro de 2010

Exemplos e não teorias

No rescaldo do triste teatro que rodeou os momentos que antecederam a apresentação do Orçamento de Estado, a sua negociação e aprovação, uma mensagem ficou clara. Os partidos políticos estão a falhar – de uma forma histórica -na sua missão de apresentar soluções para o país.

Não mais os debates são focados nas grandes opções para o futuro. Ao invés, a encenação demagógica dos principais partidos centra-se na tentativa de remediar, e mal, o resultado de anos de uma governação que não teve em atenção o futuro. Portugal não tem hoje uma estratégia digna desse nome. Não uma que permita simultaneamente a gestão dos recursos e a dinamização da população em prol de um objectivo tangível e comum.

A proliferação de Movimentos Independentes nas últimas eleições autárquicas, salvaguardando as devidas especificidades quer deste plebiscito quer das próprias realidades locais, é um dos sinais visíveis do descontentamento dos Portugueses. É das raízes da nossa sociedade que começam a ecoar as vozes discordantes e que exigem a mudança.

A mudança de sistema político, questão abordada durante as comemorações do 5 de Outubro, tem sido apontada por alguns como uma possível solução para o país.

Seja uma nova república (a IV!) baseada num sistema presidencialista, uma nova república resultante de uma nova constituição que mantendo as instituições as reforme, ou uma monarquia, várias opções têm sido avançadas. No entanto, será que a causa da já crónica crise, agora agravada, desvanece com a mudança de sistema? Será que esta nova crise não resulta de tantas outras e não terão apenas os receios internacionais sobre Portugal sido ocultados deliberadamente por muito tempo?

A República, à semelhança de outras mudanças em Portugal nasceu na revolta e em muito beneficiou da situação económica e financeira (posteriormente agravada) do Portugal de então. A mudança de regime hoje, com propósitos quase Sebastianistas, iria alterar a situação de Portugal ou o problema que enfrentamos é estrutural? A revolução tem de acontecer na orgânica, na organização do Estado, nos poderes que tem e na influência (pesada) sobre a economia e vida dos Portugueses. Os Portugueses sempre foram criativos e a repressão do Estado, pesado e paternalista, mas simultaneamente lento e ineficaz apenas tem levado a um desvanecimento progressivo do espírito inventivo do nosso povo.

A resolução dos problemas estruturais do país é condição necessária enquanto primeiro passo em direcção à implementação de um novo sistema que o consolide e perpetue enquanto válido. O debate das hipóteses políticas apenas poderá ser realizado de forma coerente e construtiva, tendo um Portugal futuro próspero como meta, num ambiente de serenidade e depois de solucionados os problemas imediatos. Cabe a cada um dos portuguese iniciar a ‘revolução’, levá-la a todo o país e ultrapassar o atraso crónico imposto por Lisboa.

Cabe a todos os que acreditam na mudança, defendê-la vivamente e com acções mais do que palavras. Procuram-se exemplos e não teorias. Procura-se menos Estado para um melhor governo.

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